Acessibilidade e Humanização em Estabelecimentos Assistenciais De Saúde: O Papel Da Arquitetura No Acesso De Pessoas Com Obesidade
Acessibilidade, Pessoa com Obesidade, Arquitetura de Estabelecimentos Assistenciais de Saúde, NBR 9050, RDC50
As discussões sobre sustentabilidade e mudanças climáticas perpassam as mais diversas esferas temáticas, sendo uma delas a transformação na alimentação e do modo de vida da população mundial. Isso pode ser um fator decisivo para o desenvolvimento e agravamento de questões de saúde pública como, por exemplo, a epidemia global de obesidade. O aumento do peso da população adiciona e transforma as demandas de infraestrutura física do ambiente construído. Em especial, dos Estabelecimentos Assistenciais de Saúde (EAS). A necessidade deste estudo surgiu a partir do entendimento atual de que a obesidade pode ser considerada a maior desordem nutricional no âmbito mundial segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) que também impacta nas demandas dos usuários sobre o ambiente construído. Visando contribuir para a investigação das condições arquitetônicas que dificultam a Humanização Sustentável e a Acessibilidade de Pessoas Com Obesidade grave a partir de 250 kg nos ambientes de EAS e entender o papel da arquitetura na falta de acesso de pessoas com obesidade à tratamentos de saúde, essa pesquisa busca identificar os principais critérios arquitetônicos de acessibilidade, humanização de espaço de saúde, os principais problemas de acessibilidade arquitetônica e suas consequência no acesso à tratamentos de saúde de Pessoas com obesidade grave , bem como definir possíveis soluções para tornar o ambiente construído mais acessível sem que haja comprometimento das outras condicionantes de acessibilidade e princípios da Política Nacional de Humanização do Sistema Único de Saúde. O método abordou a revisão de literatura de diretrizes médicas analisou-se as necessidades, habilidades e desafios específicos enfrentados por pessoas com obesidade no dia a dia, bem como a existência de diretrizes de acessibilidade para pessoas com obesidade no Brasil para que se pudesse entender quais as modificações arquitetônicas necessárias para acolher o público alvo. Como resultados parciais obteve-se a proposição de um novo parâmetro do Módulo de Referência presente na Norma Brasileira Regulamentadora 9050:2020 que contemple a acessibilidade de pessoas com obesidade. A partir desta proposição realizou-se a atualização do checklist do Selo de Acessibilidade do Ambiente construído do Laboratório de Sustentabilidade aplicada à Arquitetura e ao Urbanismo (LaSUS) por meio de adaptação e inclusão de itens de análise do ambiente construído com parâmetros de acessibilidade para Pessoas com Obesidade grave que servirão de ferramentas para a aplicação da Avaliação de Pós Ocupação no Centro Especializado em Reabilitação IV em Contagem em Minas Gerais. Os resultados mostraram que a Acessibilidade arquitetônica e urbanística focada nas Pessoas com Obesidade não é satisfatório e que por muitas vezes não há diretrizes claras para que se possa tornar o ambiente de saúde acessível para essa parcela da população.